domingo, 17 de julho de 2016

13/07/16 • Terceiro Dia

Acordei melhor, sem muitas dores na perna. Isso dava um alivio enorme.



Logo no início da manhã os médicos residentes vieram me visitar, expliquei o ocorrido com a enfermeira na noite anterior e eles falaram que ela não poderia agir daquela maneira. Que elas são orientadas a não deixar o paciente com dor nenhuma, elas deveriam dar morfina assim que dores fortes aparecessem. Como a cirurgia é muito invasiva, as dores são realmente fortes apesar dos poucos cortes externos. Internamente ela é dessa maneira:

Imagine que não deve ser lá muito confortável estar com 2 ossos quebrados e uma haste dentro de um deles sustentando, né?

Passei o dia tranquilamente com dor nível 2 de 10, apenas pelo desconforto após os movimentos da fisioterapia.

Chegou novamente as 17 horas, hora da dose de dipirona. A mesma enfermeira ainda estava de plantão. Ela veio me aplicar a dose, porém minha mão onde estava o cateter começou a arder demais e inchar. Tentei explicar pra ela que a dor estava insuportável, mas acho que ela estava me achando manhosa, devido ao ocorrido na noite anterior. Realmente falando assim parece, porém minha mão ficou bem vermelha e inchada, ardia como se tivessem colocado ácido. Pedi para a enfermeira então trocar a entrada da veia, procurar alguma outra, retirar aquela dali urgente, parar com a entrada do remédio, ela interrompeu porém ela falou que só poderia fazer a retirada da agulha depois, teria que ir até o postinho pegar novos cateters.

12/07/2016 • Segundo dia

Logo pela manhã o médico passou no quarto para ver como eu estava.
Chegou já retirando as faixas da minha perna para deixar os pontos respirarem.

 

A perna estava muuuito melhor do que eu imaginei, nem um pouco inchada e com alguns poucos curativos nos pontos espalhados pela perna.
Dr Richard me alertou que logo os roxos viriam e que a perna iria começar a inchar, também que os pontos iriam ficar soltando um pouco de liquido e sangue, o que era normal, mas que já era pra eu começar a tentar movimenta-la.

A fisioterapeuta veio a tarde para começarmos os movimentos, ela fez algumas massagens, drenagem e colocou um aparelhinho de choque.

Com a chegada da noite começaram também as dores. Foi uma noite beeem difícil.
As 17 horas veio a primeira dose de Dipirona, elas davam de 6 em 6 horas, porém foi como se não tivesse tomado nada, depois de umas 2 horas não aguentei e chamei a enfermeira para uma dose extra. Elas deram então 4mg de morfina, não sei o que estava acontecendo com a perna nesse dia ou elas poderiam estar colocando soro em vez de remédio, pois nem isso fez a dor passar. Sabia então que as 23 horas a enfermeira voltaria com mais uma dose de remédio, fiquei olhando para o relógio de 2 em 2 minutos esperando as tão esperadas 23 horas.
Chegou, 23 horas, 23:10, 23:15, 23:20 e nada da enfermeira entrar e eu com lagrimas nos olhos esperando. Chamei então novamente.
A que entrou no quarto não devia estar num dia muito bom, pois quando falei que estava com dor o dia todo, que nem a morfina tinha feito passar, falou comigo de uma maneira bem grosseira. Além de atrasar o horário do meu medicamento, se recusou a me dar uma dose mais forte, já que a dipirona é o remédio básico para quando não há dores fortes. O médico falou que sempre que tivesse com dores fortes eu deveria pedir que elas estavam orientadas a dar morfina. Eu já com lagrimas nos olhos falei que aquilo apenas a dipirona não iria adiantar e que eu não aguentava mais, a enfermeira saiu sem me dar ouvidos.
Acredito que ela ficou com um pouco de pena, pois meia hora depois voltou ao meu quarto, a dor ainda não havia passado, e me aplicou uma dose de morfina. Foi quando consegui relaxar e a dor enfim sumiu.

Não dormi direito a noite toda porém a dor insuportável tinha saído, só com isso eu já estava feliz.



11/07/2016 • Dia da Cirurgia

Saímos da minha cidade as 2 da manhã, para chegar em Curitiba as 6, horário em que já deveria estar no hospital para dar entrada na internação.

As 7:30 já estava entrando no centro cirúrgico e só me dei conta de que já estava no quarto com a perna enfaixada as 14 horas. Fiquei com efeito da anestesia até a noite, achava que já estava ótima, porém no outro dia vi algumas mensagens idiotas no whatsapp pra uns amigos haha ¯\_(ツ)_/¯



Com remédios em cima de remédios não senti muitas dores e logo dormi. Minha mãe me acompanhou durante toda a recuperação. Se você está pensando em fazer essa cirurgia, esteja certo de que você precisa de alguém muito paciente e atencioso ao seu lado, você dependerá dela pra tudo. Tomar banho, ir ao banheiro, te cobrir, colocar tuas roupas, ouvir tuas reclamações...
Realmente não tenho nem como imaginar como seriam esses dias sem ela. Ela tem sido incrível <3

Primeira consulta e decisão

Estou escrevendo 1 semana após minha cirurgia, vou contar como foi o processo desde o início:

Descobri aos 11 anos que eu tinha 3cm de diferença entre uma perna e outra. Meu médico na época optou por uma cirurgia que interromperia o crescimento de uma parte da perna maior(direita), assim com a esquerda crescendo normalmente elas poderiam se igualar. Cresci o bastante para a diferença diminuir para 1,8cm. Os médicos dizem que até 1,5cm é normal e não é necessária a cirurgia, após 2cm seria obrigatório. Eu fico nesse meio termo então a decisão viria de mim.

Vivi com essa pequena diferença até meus 27 anos, pois só tinha conhecimento do alongamento por Ilizarov e ele nunca me soou atrativo. Convivia bem com essa diferença pois nunca me atrapalhou muito e não era notável por pessoas de fora. Porém por causa dela desenvolvi bursite na perna maior, o que me incomodava sempre que precisava andar muito ou fazer exercícios físicos e por causa do desequilíbrio do meu quadril, sempre tive escoliose, o que me deixava um pouco corcunda.

Quando descobri o método ISKD, pesquisei muitos médicos pelo Brasil até que descobri o Dr. Richard Luzzi. Ele trabalha no CERO (Centro de Excelência em Reconstrução Óssea) do Hospital VITA em Curitiba. Por ficar apenas algumas horas da minha casa, marquei uma consulta com ele para tirar todas as minhas dúvidas sobre as maneiras de alongamento ósseo.

Optei por fazer a cirurgia, após uns 2 meses de espera a Unimed aprovou o meu procedimento. Dr. Richard não atende por plano médico, porém tem uma parceria com a Unimed que consegue fazer a solicitação da cirurgia por lá. Dessa forma, ele cobra apenas os custos dele e de sua equipe. A haste, o hospital e a anestesia ficam por conta da Unimed.

Tive muita sorte, minha cirurgia logo foi marcada para dia 11/07/16. 
A moça com que eu conversava sobre o processo na Unimed me falou que normalmente para esse tipo de cirurgia eles demoram quase 6 meses para a aprovação.

Dr. Richard me alertou que eu ficaria 5 dias internada e que eu deveria ficar em Curitiba por mais 20 dias para que fizesse as fisioterapias diárias e raio-x 2 vezes por semana. Isso complicou muito, pois não teria dinheiro suficiente para arcar com hotel + taxi para ir até o hospital todo dia. Tivemos então a ideia de ir conversar novamente com a mulher responsável pelas aprovações da Unimed. Explicamos o caso, apresentamos uma carta do médico dizendo que seria obrigatória a minha estadia em Curitiba durante todo o processo e ~por mais uma onda de sorte~, conseguimos que a Unimed nos ressarcisse do dinheiro que gastaríamos com o Hotel e com o taxi que me levaria todo dia ao hospital.

As dúvidas que eu tinha sobre fazer ou não a cirurgia foram desaparecendo, devido a toda a maré de sorte que estava ao redor de mim.

Dia 11/07 então eu estaria indo para Curitiba para minha cirurgia que seria as 8horas da manha...




Inicio da Jornada

Inspirada em dois blogs que me ajudaram a tirar algumas dúvidas de como é o processo antes da minha cirurgia de alongamento com o ISKD, resolvi também fazer um blog contando o dia a dia dessa jornada pra compartilhar as alegrias e frustrações desse método.

Como tive muitas dificuldades em achar informações na internet e achar pessoas que já passaram por isso, esse blog serve pra ser mais uma fonte de troca de experiências para quem já passou ou irá passar por esse processo.

Blogs do dia-a-dia de outras duas pessoas que já passaram por isso:
• http://alongamentoiskd.blogspot.com.br/
• http://alongamentoosseoiskd.blogspot.com.br/

Lembrando que aqui terão apenas informações do que vai acontecer comigo, não tenho nenhuma formação no assunto e não sei detalhes técnicos. Qualquer dúvida sobre a técnica você deve procurar um médico. Só ele pode esclarecer todas as suas dúvidas de maneira correta e clara.